A Primeira Guerra do Golfo (1990 – 1991) foi um conflito
militar que ocorreu principalmente nas imediações do Golfo Pérsico, em
decorrência da ocupação do Kuwait pelo Iraque. Uma das razões para Saddam
Hussein, presidente do Iraque de 1979 a 2003, invadir e anexar o Kuwait como
19ª província do país foi a crise econômica iraquiana. Ao final da Guerra
Irã-Iraque, a economia estava à beira do colapso. Outra razão seria
territorial, uma vez que a formação do Kuwait tirou do Iraque a única saída
para o mar que ele possuía. O Kuwait também foi acusado pelos iraquianos de
fazer uma “guerra econômica”, pois a produção kuaitiana de petróleo estava
muito alta, baixando o preço do produto e causando prejuízos comerciais ao
Iraque.
O Iraque tinha estabelecido acordos de não-agressão e
não-interferência com os países que o haviam apoiado na guerra contra o Irã.
Esses acordos foram apoiados pelos americanos, que pensaram que a aproximação
do Iraque com outros países pró-Ocidente iria colocar os iraquianos dentro da
esfera de influência estadunidense. Porém, a repressão às minorias dentro do
território iraquiano acabou por deteriorar a relação com outros países árabes. Os
EUA mudaram sua postura, questionando o estado dos direitos humanos naquela
área, conhecida pelos casos de tortura e massacres. Após Saddam Hussein
declarar que não hesitaria em usar armas químicas contra Israel, os americanos
cortaram vários fundos ao país.
Em 1990, o Iraque ameaçou tomar uma iniciativa militar
contra o Kuwait, que ainda estava produzindo petróleo sem respeitar as cotas. A
CIA reportou, em julho desse mesmo ano, que 30 000 soldados iraquianos haviam
sido movidos para a fronteira sul do país. Os americanos então reforçaram as
tropas localizadas no Golfo Pérsico e colocaram-nas em alerta máximo.
Na transição entre julho e agosto de 1990, a invasão
começou. As tropas kuaitianas não eram adversários à altura, reagindo
tardiamente e sem coordenação. Durante os seis meses seguintes, o Kuwait se
tornou a 19ª província do Iraque. A ONU então deu um prazo até o início de
janeiro de 1991 para que houvesse a desocupação do país. O Conselho de
Segurança ainda impôs sanções econômicas, autorizando o uso de força para a
libertação do país.
Passado o prazo estipulado, teve início a operação
Tempestade no Deserto, durante a qual mais de 116 mil viagens aéreas foram
feitas ao Iraque e mais de 85 mil toneladas de bombas foram lançadas. No dia 24
de fevereiro de 1991, um ataque foi ordenado em direção à capital do Kuwait.
Naquele momento, as forças iraquianas já haviam sofrido muitas perdas e sua
infraestrutura militar estava danificada pelos intensos ataques aéreos.
No dia 25 de fevereiro, as tropas iraquianas atearam fogo
nos próprios poços de petróleo. As tropas aliadas, lideradas pelos EUA,
conseguiram forçar a saída das tropas de Hussein no dia seguinte. No dia 27, um
cessar-fogo foi anunciado. A queima do petróleo causou uma intensa poluição do
ar, que se alastrou por milhares de quilômetros. Foram necessários dez meses
para se apagar o fogo. Milhões de barris foram despejados nas águas do Golfo
Pérsico, contaminando as águas do Oceano Índico e a costa do Kuwait. Houveram várias baixas civis, que os EUA denominaram “efeitos
colaterais”. De baixas militares, entre 60 mil e 200 mil soldados iraquianos
foram mortos. Do lado aliado, mal houve 300 mortos.
É interessante notar que há nesse contexto questões étnicas, religiosas e econômicas. Por outro lado, uma nova abordagem tem que emergir: qual o interesse que a ONU, encabeçada pelos EUA, tinha a essa altura? O que justifica a intensa campanha norte americana contra o Iraque? Veja que a guerra do Golfo é em 1991, mas os conflitos e tensões entre as duas nações permanecem até a deposição de Saddam Hussein em 2003.
ResponderExcluirNão devemos fazer um exercício maniqueísta, apenas entender as motivações de ambos os lados.
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