Trabalhando na guerra: o pior engarrafamento do mundo?
Empresários que cruzam fronteira toda semana sentem obrigação com os
sí
Soldados armados, extensas filas, vários disparos de metralhadora e centenas de refugiados caminhando pela estrada. É esse o cenário encarado diariamente pelo empresário sírio Jihad Awad, de 51 anos.
Ele se mudou para o Líbano em 2012, um ano apos o início do conflito civil na Síria, que continua até hoje. Mas toda segunda-feira ele retorna ao país para uma estadia de dois dias na capital Damasco.
Antes do início do conflito, esse tipo de jornada diária de ida e vinda não era raro entre libaneses e sírios. Mas o fenômeno praticamente desapareceu muito devido à enorme quantidade de aprovações impostas à Síria. Poucos empresários têm o privilégio de atravessar a fronteira com tanta frequência.
"Somos um dos sortudos", diz Awad, que dirige uma empresa de equipamentos médicos e farmacêuticos em Damasco. A empresa está operando em apenas 30% da sua capacidade.
A guerra civil, começada em março de 2011, acabou com a economia da síria. Mais de 230 mil pessoas morreram, segundo algumas estimativas. O setor privado praticamente desapareceu.
Awad tem varios amigos empresários de Aleppo, a maior cidade síria, que foi praticamente destruída com bombardeios.
Ele faz parte de um grupo de empresários que encara os negócios na Síria como um investimento de longo prazo
No trânsito
A principal estrada entre Damasco e Beirute é a mais segura de todas as que saem da Síria. Ela é monitorada pelo governo sírio. Ainda assim, passar por ela hoje em dia demora três horas, mais do que o dobro de antes da guerra.
Fluxo
de carros para a Síria caiu em 80% segundo taxistas no Líbano
Os taxistas na garagem de Charles
Helou - o principal ponto de Beirute - dizem que a quantidade de clientes em
direção à Síria caiu em 80% desde que a guerra começou. Os poucos que continuam
são trabalhadores empregados na Síria, que arriscam a vida para ganhar o
sustento de suas famílias.
"O que se vê na fronteira é
chocante", conta Awad. As filas de carros e os tempos de espera são
enormes. Todos são submetido a demorados interrogatórios. Em Damasco, ele diz
que a população nem reage mais ao som de bombas estourando no fundo.


Muito interessante a análise de como se comporta uma cidade em guerra.
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